2.2. A Invasão Britânica e a Reação Americana
Enquanto os Beatles cuidavam de conquistar os mercados inglês e europeu, o panorama da música jovem nos EUA era de uma pobreza criativa desanimadora. Com exceção do segmento rhythm’n’blues e soul, no qual as gravadoras Motown e Stax, especializadas em artistas negros, eram férteis reveladoras de talentos, o que se ouvia nas rádios eram pálidas derivações do rock cinqüentista, como o twist de Chubby Checker ou a surf music dos muito adorados Beach Boys. No extremo oposto, menos popular e mais intelectualizada, a folk music reunia um séquito de admiradores que tinham em Bob Dylan – um compositor de inspiradíssimas canções de protesto contra a Guerra do Vietnam e em prol dos direitos civis – seu ídolo máximo.
Smokey Robinson & The Miracles - Shop around
Chubby Checker - The Twist
The Beach Boys - Surfin' USA
Bob Dylan - Blowin' in the wind
Quando pisaram a América do Norte pela primeira vez, em 1964, aparecendo num dos programas mais populares da TV americana, o “Ed Sullivan Show”, obtendo uma audiência recorde, os Beatles foram recebidos por um público histérico que os via como uma injeção de ânimo e alegria num país ainda atordoado e abatido pelo recente assassinato de seu presidente. À margem de toda a cuidadosa estratégia de marketing que os promoveu e transformou num lucrativo produto do show business, havia, contudo, uma música inovadora que se, por um lado, no início pouco tinha a tematizar além de um romantismo ingênuo e despretencioso, por outro lado, remetia ritmicamente aos fundadores norte-americanos do rock, ao mesmo tempo que incorporava outras matrizes musicais.
Apesar de escudados por uma aparência de bom mocismo, suas atitudes e declarações exalavam nonsense e irreverência que seduziam os jovens e deixavam a mídia, as autoridades e os pais intranqüilos e desconfiados: seriam eles lobos em pele de cordeiros?. Além disso, os Beatles demonstravam uma autonomia profissional jamais vista nos artistas até então. Eram eles os seus próprios compositores, músicos, vocalistas, arranjadores. E eram também os seus próprios porta-vozes, arautos de uma nova juventude, autoafirmada e autoconfiante, altiva e independente. Na trilha aberta pelos Beatles, outras bandas oriundas da Grã-Bretanha lançaram-se no mercado dos EUA: The Rolling Stones, The Who, The Kinks, The Animals, The Yardbirds. Era a “Invasão Britânica” do rock, que convidava os jovens norte-americanos a redescobrirem suas esquecidas e marginalizadas raízes musicais, especialmente as negras.
The Beatles - I want to hold your hand
The Rolling Stones - It´s all over now
The Who - I can't explain
The Kinks - You really got me
The Animals - House of the rising sun
The Yardbirds - For your love
A reação americana à invasão britânica começou em 1965, quando os Byrds, uma banda de Los Angeles que admirava simultaneamente os Beatles e Dylan, popularizou versões roqueiras de algumas canções folk compostas pelo segundo. O próprio Dylan se sentiu instigado pela Invasão Britânica e decidiu eletrificar seu repertório, não sem ouvir vaias e ferozes críticas dos fãs mais ortodoxos da música folk, acostumados a arranjos exclusivamente acústicos.
The Byrds - Mr. Tambourine Man
Bob Dylan - Like a rolling stone
Com a adesão de Bob Dylan, o rock ganhou em lirismo e amadurecimento poético. A partir do final de 65, os Beatles ampliaram e complexificaram seu universo temático, ao mesmo tempo que tornavam mais sofisticadas suas melodias, incorporavam instrumentos estranhos ao rock, como a cítara, e elaboravam ousados arranjos orquestrais. O exemplo foi seguido por outros músicos em ambos os lados do Atlântico: nos EUA, as intrincadas construções melódicas e harmonias vocais dos Beach Boys pós-surf music, a negritude vocal da branca Janis Joplin ou o performático carisma de Jim Morrison, líder da banda The Doors; na Inglaterra, o virtuosismo jazz-bluesístico do power trio Cream e os malabarismos instrumentais de Jimi Hendrix, um negro norte-americano acolhido e revelado por Londres, de onde extrapolaria todos os limites da guitarra elétrica até então explorados.
The Beatles - Norwegian wood (This bird has flown)
The Beatles - Eleanor Rigby
The Beach Boys - God only knows
The Jimi Hendrix Experience - Hey Joe
Janis Joplin (with Big Brother & The Holding Co.) - Down on me
The Doors - Break on through
Enfim, se o rock dos anos 50 ajudou a libertar a juventude das prisões do seu corpo, o rock sessentista libertaria as mentes jovens. Mentes libertadas e alteradas de seu estado normal. Em 1964, Bob Dylan apresentou a maconha aos Beatles. No ano seguinte, os outrora inocentes garotos de Liverpool experimentaram ácido lisérgico (LSD), uma poderosa substância alucinógena, cujo uso vinha sendo abertamente apostolado pelo psiquiatra norte-americano Timothy Leary. Ao sexo e ao rock juntavam-se agora as drogas: a trindade satânica estava completa.
Enquanto os Beatles cuidavam de conquistar os mercados inglês e europeu, o panorama da música jovem nos EUA era de uma pobreza criativa desanimadora. Com exceção do segmento rhythm’n’blues e soul, no qual as gravadoras Motown e Stax, especializadas em artistas negros, eram férteis reveladoras de talentos, o que se ouvia nas rádios eram pálidas derivações do rock cinqüentista, como o twist de Chubby Checker ou a surf music dos muito adorados Beach Boys. No extremo oposto, menos popular e mais intelectualizada, a folk music reunia um séquito de admiradores que tinham em Bob Dylan – um compositor de inspiradíssimas canções de protesto contra a Guerra do Vietnam e em prol dos direitos civis – seu ídolo máximo.
Smokey Robinson & The Miracles - Shop around
Chubby Checker - The Twist
The Beach Boys - Surfin' USA
Bob Dylan - Blowin' in the wind
Quando pisaram a América do Norte pela primeira vez, em 1964, aparecendo num dos programas mais populares da TV americana, o “Ed Sullivan Show”, obtendo uma audiência recorde, os Beatles foram recebidos por um público histérico que os via como uma injeção de ânimo e alegria num país ainda atordoado e abatido pelo recente assassinato de seu presidente. À margem de toda a cuidadosa estratégia de marketing que os promoveu e transformou num lucrativo produto do show business, havia, contudo, uma música inovadora que se, por um lado, no início pouco tinha a tematizar além de um romantismo ingênuo e despretencioso, por outro lado, remetia ritmicamente aos fundadores norte-americanos do rock, ao mesmo tempo que incorporava outras matrizes musicais.
Apesar de escudados por uma aparência de bom mocismo, suas atitudes e declarações exalavam nonsense e irreverência que seduziam os jovens e deixavam a mídia, as autoridades e os pais intranqüilos e desconfiados: seriam eles lobos em pele de cordeiros?. Além disso, os Beatles demonstravam uma autonomia profissional jamais vista nos artistas até então. Eram eles os seus próprios compositores, músicos, vocalistas, arranjadores. E eram também os seus próprios porta-vozes, arautos de uma nova juventude, autoafirmada e autoconfiante, altiva e independente. Na trilha aberta pelos Beatles, outras bandas oriundas da Grã-Bretanha lançaram-se no mercado dos EUA: The Rolling Stones, The Who, The Kinks, The Animals, The Yardbirds. Era a “Invasão Britânica” do rock, que convidava os jovens norte-americanos a redescobrirem suas esquecidas e marginalizadas raízes musicais, especialmente as negras.
The Beatles - I want to hold your hand
The Rolling Stones - It´s all over now
The Who - I can't explain
The Kinks - You really got me
The Animals - House of the rising sun
The Yardbirds - For your love
A reação americana à invasão britânica começou em 1965, quando os Byrds, uma banda de Los Angeles que admirava simultaneamente os Beatles e Dylan, popularizou versões roqueiras de algumas canções folk compostas pelo segundo. O próprio Dylan se sentiu instigado pela Invasão Britânica e decidiu eletrificar seu repertório, não sem ouvir vaias e ferozes críticas dos fãs mais ortodoxos da música folk, acostumados a arranjos exclusivamente acústicos.
The Byrds - Mr. Tambourine Man
Bob Dylan - Like a rolling stone
Com a adesão de Bob Dylan, o rock ganhou em lirismo e amadurecimento poético. A partir do final de 65, os Beatles ampliaram e complexificaram seu universo temático, ao mesmo tempo que tornavam mais sofisticadas suas melodias, incorporavam instrumentos estranhos ao rock, como a cítara, e elaboravam ousados arranjos orquestrais. O exemplo foi seguido por outros músicos em ambos os lados do Atlântico: nos EUA, as intrincadas construções melódicas e harmonias vocais dos Beach Boys pós-surf music, a negritude vocal da branca Janis Joplin ou o performático carisma de Jim Morrison, líder da banda The Doors; na Inglaterra, o virtuosismo jazz-bluesístico do power trio Cream e os malabarismos instrumentais de Jimi Hendrix, um negro norte-americano acolhido e revelado por Londres, de onde extrapolaria todos os limites da guitarra elétrica até então explorados.
The Beatles - Norwegian wood (This bird has flown)
The Beatles - Eleanor Rigby
The Beach Boys - God only knows
The Jimi Hendrix Experience - Hey Joe
Janis Joplin (with Big Brother & The Holding Co.) - Down on me
The Doors - Break on through
Enfim, se o rock dos anos 50 ajudou a libertar a juventude das prisões do seu corpo, o rock sessentista libertaria as mentes jovens. Mentes libertadas e alteradas de seu estado normal. Em 1964, Bob Dylan apresentou a maconha aos Beatles. No ano seguinte, os outrora inocentes garotos de Liverpool experimentaram ácido lisérgico (LSD), uma poderosa substância alucinógena, cujo uso vinha sendo abertamente apostolado pelo psiquiatra norte-americano Timothy Leary. Ao sexo e ao rock juntavam-se agora as drogas: a trindade satânica estava completa.
Ver INTRODUÇÃO
Ver CAPÍTULO 1 (I)
ver CAPÍTULO 1 (II)
ver CAPÍTULO 2 (I)
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